segunda-feira, 6 de abril de 2009

Umbu com Manga

Umbu com Manga


Uma casa cheia de lembranças...
Um lar cheio de saudade e com aquele ar de sempre: de amor, carinho, estilo e liberdade.
Quadros, bugigangas dos mais diversos cantos e muita música tocando.
Sempre músicas, filmes, livros, peças...
Tudo do melhor! E muita coisa dos cantinhos mais escondidos, aqueles ainda não descobertos.
Sempre tão inteligente, sensível e atencioso. Ele, assim como ela.
Potes de azeitona como copos. Isso é que é felicidade!
Um calor! Mas o ventilador continua incansável, para lá e para cá.
E mesmo longe, ela ainda está lá. E também aqui, com todos nós.
Saudade do cachorro, das pessoas e dela, com aquela cara de braba.
Mas o tempo passa, a saudade fica e, hoje, as lembranças são menos dolorosas.
Suco de umbu com manga. Que maravilha! Só mesmo ele para pensar nisso.
Mas ainda dói deixá-lo lá todas as vezes.
Tão bom passar um tempo com quem se gosta.
Tão bom trocar figurinhas e ouvir música boa com quem sempre tem um artista novo para te mostrar.
Tão bom compartilhar o que quer que seja com pessoas assim. Suco de umbu com manga em potes de azeitona como copos? Sim, obrigada! Com essas pessoas tudo é sempre maravilhoso!

Obrigada.

Natali Assunçao

terça-feira, 2 de setembro de 2008

um ano

colapsos miúdos arquitetam
toque de clarim
há um ano só temores

há um ano, tremores
uma pergunta
e um medo

há um ano
depois das tarefas no fim da tarde
só uma dor de cabeça

suspiro abafado
minuto de silêncio
séculos a gritar

pássaros sem pele
ruído contínuo sem cheiro
sorrisos sem luz

domingo, 24 de agosto de 2008

Eros e Tanatos

Eros e Tanatos


“Era uma tarde quente e abafada, e Eros, cansado de brincar e derrubado pelo calor, abrigou-se numa caverna fresca e escura.

Era a caverna da própria Morte.

Eros, querendo apenas descansar, jogou-se displicentemente ao chão, tão descuidadamente que todas as suas flechas caíram.

Quando ele acordou percebeu que elas tinham se misturado com as flechas da Morte, que estavam espalhadas no solo da caverna.

Eram tão parecidas que Eros não conseguia distingui-las.

No entanto, ele sabia quantas flechas tinha consigo e ajuntou a quantia certa.

Naturalmente, Eros levou algumas flechas que pertenciam à Morte e deixou algumas das suas.

E é assim que vemos, freqüentemente, os corações dos velhos e dos moribundos, atingidos pelas flechas do Amor, e às vezes, vemos os corações dos jovens capturados pela Morte.”

(Esopo, Grécia Antiga)

O coração de Inayá era constantemente flechado. Cada nova amizade que fazia era um amor eterno. Foi inevitável o erro de Eros. Ele não teve culpa.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Indignação

Indignação

Dizem que algumas pessoas se ligam pela alma,que não precisa se estar presente fisicamente de alguém ,mas como diria o cantor : O coração fica faltando um pedaço.
Ináia era e é um pedaço desse meu amigo querido Cesar, um irmão.

Conheci Inaia menina, quietinha, e me via muito nela. Era quietinha porque tinha uma paz interna imensa, era quietinha porque tinha melancolia, aquele sentimento que faz a gente perguntar: Por que estou aqui mesmo? Aos amigos que guardam ela do lado esquerdo do peito,tenham certeza qualquer dia a gente volta a se encontrar.
Hoje tenho alguns anos de idade e o privilégio de tê-la conhecido e reforçando a crença de que os amigos nos mantem vivos.

Sigam vivos com a determinação dela, com a amizade que o pai e a tia dela nos ensinaram a ter e sentir. que bom que vcs resistem e sentem. Afeto , amizade, lealdade.
Cesar, Célia e eu somos amigos há mais de trinta anos. E desejo que vcs tenham amizades assim que resistam ao tempo,
Ináia, tinha essa sabedoria,era ligada as coisas do coração. Hoje muito próxima de Deus reforça que nossa única esperança é O Amor.
Thomaz, já perdi minha melhor amiga,ás vezes ela vem fala comigo em sonho, é muito bom. Tenha fé. Converse com ela toda noite, ela vai te te ouvir.
Abraço!
Selma Matos

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Que burrice

Já entramos no quarto mês que Inayá se foi, hoje mexendo nas coisas achei um poema de Elisa Lucinda "Incompreensão dos Mistérios"
"Essa coisa fez
eu brigar pela primeira vez
com a natureza das coisas:
que desperdício, que descuido
que burrice de Deus!
Não de ela perder a vida
mas a vida de perdê-la.
Olho pra ela e seu retrato.
Nesse dia, Deus deu uma saidinha
e o vice era fraco."

Eu aqui indignado perguntando QUE BURRICE acho que perdemos deus não podia ter sido um pouco mais prudente.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O amor

O Amor

Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zoo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.


Vladimir Maiakovski

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Doda & Inayá
















É difícil entender por que pessoas tão queridas nos deixam de maneira tão precoce. É difícil aceitar, desesperador até... alguém que só nos deu exemplos de bondade alegria e meiguice...Alguém sempre feliz a ponto de cativar todos aqueles que conhecera, coisas simples como um sorriso sempre sincero, um cuidado fraternal para com todos...

Acredito que algo assim não acontece em vão!

Acredito que assim aprendemos a fragilidade da condição humana, aprendemos que às vezes somos mesquinhos, egoístas e fracos... aprendemos a dar valor inestimável a pequenos momentos, pequenos gestos, aprendemos a amar mais e honrar aqueles que nos querem bem...

Lembro quando você pedia pra eu fazer cafuné pra você dormir, quando você estava dormindo e eu dava um monte de beijos no seu olho pra você acordar kkkkkk, momentos felizes nossos, 6 anos de namoro onde sempre houve respeito e muito amor entre nós, mas além de namorada você era também minha companheira, amiga e hoje eu não sei como vou continuar sem você mas sempre terei nossos momentos felizes na lembrança.

Te amo pra sempre

Minha neguinha!!!!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

culto ecumênico às 18:00 na Unicap

culto ecumênico às 18:00 na Unicap

Ontem, um culto ecumênico "Missa de Sétimo Dia" às 18:00 na Capela da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco).
Presentes professores, estudantes amigos, colegas, amigos e familiares.
Inayá...

Dulce disse em janeiro de 1996

“Que susto! Pensei que não tivesse sobrado uma folhinha para mim!

Inayá, para mim você é a estrela mais brilhante, a folha mais verde, a nuvem mais branca, a brisa mais fresca, o ar mais puro, a música mais suave, a onda mais macia, a água mais morna, a fruta mais doce. Enfim, você é a perfeição da natureza. Te amo. Sua mãe, Dulce.”

Essa mensagem foi escrita em Olinda em 12 de janeiro de 1996, no Diário de Recordações que você trouxe de São Paulo, lembra?

Para mim nada mudou, e a mensagem é a mesma.

Dulce.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Celia Araujo disse

Eu sinto muitíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisssssiiiiiimo pelo acontecido com a sua, a nossa menina.

Nas poucas oportunidades que estive com ela, lembro-me da tranquilidade que inspirava. O falar baixinho e tão pouco, que era prá se fazer respeitar em tal característica.

Sei agora que falará baixinho, mas será ouvida muito longeeeeeeeeeeeeeeeee, pois é isso que cabe aos seres iluminados que cruzam o nosso caminho para nos inspirar.

um abraço fraterno, Célia Araújo

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Inayá Ribeiro: 31.05.1987 a 07.09.2007

à uma e cinco desse dia fictício, uma certa independência jamais efetivada nesse quase-Estado nação, nossa Yayá finalmente passa por inteiro a sua marcha rumo à eternidade.
Velório no Real Hospital Português até as zero hora.
Passo seguinte, o cortejo segue até perto de Fortaleza, em Euzébio, para que a última vontade de Inayá se realize.
Sua cremação será acompanhada por quem lá estiver às 10:00 de amanhã, 08.set., no Cemitério Crematório Jardim Metropolitano: no 6º Anel Viário, você entra em Euzébio, e procure esse cemitério, que é fácil de se achar.

post-scriptum, 9.9.07: consumatum est


Eternidade, os nascituros te beijam... [Drummond]

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Inayá Ribeiro... 20 anos, autocentrada, sóbria, ponderada, serena, madura, de esquerda, bonita, filha de Dulce e Cézar, irmã de Lou, namorada de Doda

amiga de Talita, de Jessé, de Sheyla, de Vanusia, de gentes tantas... Irmã mais velha de Lou Agnes. Sobrinha de Célia Maria. Minha amiga. Irmã de minha filha. Sobrinha. Camarada. Sangue Bom. Gente Fina. Cabeça feita. Madura. Do peito.

Sábado, dois de setembro de 2007.
Dia sob o sol de Olinda em trabalho de campo para alguma matéria do curso de arquitetura...
21:00h – acidente vascular cerebral.
Isquemia.
Mas tudo ainda parece ir bem. Fala. Conversa. Rememora. Almoça. Serena.
Madrugada de segunda pra terça: parada respiratória e coma.
Do nada.
O duro é que tive de ouvir duas vezes pra me assegurar não ter ouvido errado.
Que era isso mesmo.
Que isso significa?
Que o pior de tudo sobreveio.
Nos fudemos...
Todos.
Tudo.
Nonada.
Diagnóstico no começo da tarde: não há mais oxigenação nem qualquer atividade acima da garganta, nem sente dor, nem sensações [já que nenhum dos sentidos funciona]... Nenhuma informação chega ou sai. Após a parada, edema no local da parada da madrugada.

Agora, dizem os especialistas, dada a morte cerebral e o estatuto de irreversibilidade do estado de coma, resta esperar a parte mecânica parar de funcionar. O que não tardará.

Quarta, cinco de setembro de 2007: culto ecumênico na Católica de Recife. Dessa feita, outros tantos especialistas, os da área dela, foram muito enfáticos em apontar o quão fértil e promissora era a sua trajetória, com destaque para depoimentos dos professores das matérias em que ela era monitora.

Sexta, sete de setembro: falência múltipla dos órgãos.

Sábado, oito de setembro: sua cremação.

alguma informação mais, aqui

Haja espaço no céu para tantas estrelas que resolvem ir brilhar noutro lugar.

[cuidado máximo com essa notícia ante portadores de problemas que possam derivar em fatalidades]

culto ecumênico às 18:30 na Unicap

Hoje, um culto ecumênico logo mais às 18:30 na Unicap [Universidade Católica de Pernambuco].
O curso de arquitetura teve as suas aulas suspensas.
Honorável homenagem, dolorosamente adequada pausa para um suspiro rasgado no cotidiano de todos os que trabalharam, conviveram, estudaram, moraram, amaram Inayá...

terça-feira, 4 de setembro de 2007

comunicação noturna


Carlos Drummond de Andrade começa assim seu texto sobre o poeta e amigo a pouco falecido.

Experiência difícil, de que saio derrotado: reler os textos do escritor que acaba de morrer. A morte de João Alphonsus é ainda muito nova, não ocupou ainda um lugar definitivo nesse porão de lembranças que cada um de nós anexa à própria vida. É morte que ainda está se processando, se gravando: como se João, que havia tempos lutava contra a doença, lutasse ainda, mas agora contra o arquivamento no rol das simples recordações, contra a atitude plácida dos que estão estendidos, sobretudo contra a entrega, a submissão dos mortos aos vivos, a renúncia à crítica, à participação, ao contato... Realizo dificilmente a passagem do estado ativo para esse estado neutro em que os outros começam a deliberar por nós, a decidir do que já escrevemos ou fizemos, em que somos presa do carinho, do cálculo ou da indiferença alheia; estado, enfim, em que a personalidade sofre a última e irreparável agressão, e se deixa substituir pelo mito, laboriosa ou apressadamente construído na imaginação dos que sobraram.