segunda-feira, 24 de setembro de 2007
O amor
Um dia, quem sabe,
ela, que também gostava de bichos,
apareça
numa alameda do zoo,
sorridente,
tal como agora está
no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela,
que, por certo, hão de ressuscitá-la.
Vosso Trigésimo Século
ultrapassará o exame
de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então,
de todo amor não terminado
seremos pagos
em inumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja só porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo quotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim o que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo
de casamentos,
concupiscência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que, ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte a terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o Universo;
a mãe,
pelo menos a Terra.
Vladimir Maiakovski
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Doda & Inayá

É difícil entender por que pessoas tão queridas nos deixam de maneira tão precoce. É difícil aceitar, desesperador até... alguém que só nos deu exemplos de bondade alegria e meiguice...Alguém sempre feliz a ponto de cativar todos aqueles que conhecera, coisas simples como um sorriso sempre sincero, um cuidado fraternal para com todos...
Acredito que algo assim não acontece em vão!
Acredito que assim aprendemos a fragilidade da condição humana, aprendemos que às vezes somos mesquinhos, egoístas e fracos... aprendemos a dar valor inestimável a pequenos momentos, pequenos gestos, aprendemos a amar mais e honrar aqueles que nos querem bem...
Lembro quando você pedia pra eu fazer cafuné pra você dormir, quando você estava dormindo e eu dava um monte de beijos no seu olho pra você acordar kkkkkk, momentos felizes nossos, 6 anos de namoro onde sempre houve respeito e muito amor entre nós, mas além de namorada você era também minha companheira, amiga e hoje eu não sei como vou continuar sem você mas sempre terei nossos momentos felizes na lembrança.
Te amo pra sempre
Minha neguinha!!!!
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
culto ecumênico às 18:00 na Unicap
culto ecumênico às 18:00 na Unicap
Ontem, um culto ecumênico "Missa de Sétimo Dia" às 18:00 na Capela da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco).
Presentes professores, estudantes amigos, colegas, amigos e familiares.
Inayá...
Dulce disse em janeiro de 1996
“Que susto! Pensei que não tivesse sobrado uma folhinha para mim!
Inayá, para mim você é a estrela mais brilhante, a folha mais verde, a nuvem mais branca, a brisa mais fresca, o ar mais puro, a música mais suave, a onda mais macia, a água mais morna, a fruta mais doce. Enfim, você é a perfeição da natureza. Te amo. Sua mãe, Dulce.”
Essa mensagem foi escrita em Olinda em 12 de janeiro de 1996, no Diário de Recordações que você trouxe de São Paulo, lembra?
Para mim nada mudou, e a mensagem é a mesma.
Dulce.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Celia Araujo disse
Nas poucas oportunidades que estive com ela, lembro-me da tranquilidade que inspirava. O falar baixinho e tão pouco, que era prá se fazer respeitar em tal característica.
Sei agora que falará baixinho, mas será ouvida muito longeeeeeeeeeeeeeeeee, pois é isso que cabe aos seres iluminados que cruzam o nosso caminho para nos inspirar.
um abraço fraterno, Célia Araújosexta-feira, 7 de setembro de 2007
Inayá Ribeiro: 31.05.1987 a 07.09.2007
Velório no Real Hospital Português até as zero hora.
Passo seguinte, o cortejo segue até perto de Fortaleza, em Euzébio, para que a última vontade de Inayá se realize.
Sua cremação será acompanhada por quem lá estiver às 10:00 de amanhã, 08.set., no Cemitério Crematório Jardim Metropolitano: no 6º Anel Viário, você entra em Euzébio, e procure esse cemitério, que é fácil de se achar.
post-scriptum, 9.9.07: consumatum est
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Inayá Ribeiro... 20 anos, autocentrada, sóbria, ponderada, serena, madura, de esquerda, bonita, filha de Dulce e Cézar, irmã de Lou, namorada de Doda
amiga de Talita, de Jessé, de Sheyla, de Vanusia, de gentes tantas... Irmã mais velha de Lou Agnes. Sobrinha de Célia Maria. Minha amiga. Irmã de minha filha. Sobrinha. Camarada. Sangue Bom. Gente Fina. Cabeça feita. Madura. Do peito.
Sábado, dois de setembro de 2007.
Dia sob o sol de Olinda em trabalho de campo para alguma matéria do curso de arquitetura...
21:00h – acidente vascular cerebral.
Isquemia.
Mas tudo ainda parece ir bem. Fala. Conversa. Rememora. Almoça. Serena.
Madrugada de segunda pra terça: parada respiratória e coma.
Do nada.
O duro é que tive de ouvir duas vezes pra me assegurar não ter ouvido errado.
Que era isso mesmo.
Que isso significa?
Que o pior de tudo sobreveio.
Nos fudemos...
Todos.
Tudo.
Nonada.
Diagnóstico no começo da tarde: não há mais oxigenação nem qualquer atividade acima da garganta, nem sente dor, nem sensações [já que nenhum dos sentidos funciona]... Nenhuma informação chega ou sai. Após a parada, edema no local da parada da madrugada.
Agora, dizem os especialistas, dada a morte cerebral e o estatuto de irreversibilidade do estado de coma, resta esperar a parte mecânica parar de funcionar. O que não tardará.
Quarta, cinco de setembro de 2007: culto ecumênico na Católica de Recife. Dessa feita, outros tantos especialistas, os da área dela, foram muito enfáticos em apontar o quão fértil e promissora era a sua trajetória, com destaque para depoimentos dos professores das matérias em que ela era monitora.
Sábado, oito de setembro: sua cremação.
alguma informação mais, aqui
Haja espaço no céu para tantas estrelas que resolvem ir brilhar noutro lugar.
culto ecumênico às 18:30 na Unicap
O curso de arquitetura teve as suas aulas suspensas.
Honorável homenagem, dolorosamente adequada pausa para um suspiro rasgado no cotidiano de todos os que trabalharam, conviveram, estudaram, moraram, amaram Inayá...
terça-feira, 4 de setembro de 2007
comunicação noturna
Experiência difícil, de que saio derrotado: reler os textos do escritor que acaba de morrer. A morte de João Alphonsus é ainda muito nova, não ocupou ainda um lugar definitivo nesse porão de lembranças que cada um de nós anexa à própria vida. É morte que ainda está se processando, se gravando: como se João, que havia tempos lutava contra a doença, lutasse ainda, mas agora contra o arquivamento no rol das simples recordações, contra a atitude plácida dos que estão estendidos, sobretudo contra a entrega, a submissão dos mortos aos vivos, a renúncia à crítica, à participação, ao contato... Realizo dificilmente a passagem do estado ativo para esse estado neutro em que os outros começam a deliberar por nós, a decidir do que já escrevemos ou fizemos, em que somos presa do carinho, do cálculo ou da indiferença alheia; estado, enfim, em que a personalidade sofre a última e irreparável agressão, e se deixa substituir pelo mito, laboriosa ou apressadamente construído na imaginação dos que sobraram.
